4-Hour Workweek: o livro que mudou a minha vida (e continua mudando)
04 de novembro de 2022 rascunho
Uns 7 anos atrás, uma amiga me recomendou um episódio de podcast. Eu não sabia, mas aquilo mudaria a minha vida pra sempre…
Primeiro de tudo, é bom esclarecer: naquela época, eu mal sabia o que era um podcast. Pouca gente sabia. Era um formato novo de conteúdo, que estava se popularizando nos EUA. O Joe Rogan já havia começado o seu, mas ainda era muito mais conhecido pelas suas aparições no UFC.
Eu havia acabado de chegar nos EUA. Depois de a minha empresa quebrar, eu decidi fugir pra lá pra não precisar explicar pra todo mundo o que tinha acontecido, por que não tinha dado certo, o que eu ia fazer agora etc. Estava trabalhando como bartender e nutrindo a ideia de que poderia virar jogador de poker profissional. Essa amiga me mandou um link da iTunes, e falou “começa pelo de mindfulness”.
O link era pro podcast de um tal Tim Ferriss. Eu nunca tinha ouvido falar no cara, mas vi que ele tinha entrevistas com algumas pessoas mega famosas, como Arnold Schwarzenegger e Tony Robbins. Pesquisei no Google, e aparentemente ele também era o autor de 3 best-sellers. O mais famoso deles se chamada “The 4-Hour Workweek”; o subtítulo era “fuja da jornada de 9 às 5, viva em qualquer lugar e se junte aos novos ricos”. A ideia me pareceu intrigante.

Resolvi comprar o livro. A essa altura, já tinha ouvido alguns episódios do podcast e estava gostando muito da forma como ele era capaz de fugir do óbvio e extrair de cada entrevistado detalhes únicos sobre a sua visão de mundo. E olha que é difícil conseguir isso de uma estrela de cinema ou de um superatleta, que concedem entrevistas de todos os formatos praticamente toda semana.
Mas o livro me pegou. O humor ácido, a postura até um pouco arrogante, a forma direta e objetiva de dizer “tudo que te disseram sobre ser adulto está errado, pare de respeitar regras imaginárias que não foram feitas pensando no seu bem”.
A ideia central do livro não tem nada a ver com “Trabalhe 4 horas por semana” (o título do livro em português), e sim com o fato de que a realidade é negociável. Tudo fora das leis da natureza (e de algumas “leis jurídicas”) pode ser feito de uma forma diferente e criativa.
Na prática, vivemos em uma sociedade que faz algumas (muitas?) coisas simplesmente “porque sempre foi feito assim”. Era verdade quando o livro foi lançado em 2007, é tão ou mais verdadeiro hoje. Diante desse cenário, ele propõe que façamos o que ele chama de “lifestyle design”: desenhar o nosso próprio estilo de vida, com as nossas próprias regras, fazendo o que fazemos com propósito; enfim, a ideia maluca de usar esse órgão que ocupa praticamente todo o nosso crânio pra pensar sobre os nossos objetivos e moldar a nossa realidade pra atingir esses objetivos.
Pra isso, é preciso primeiro de tudo definir o que queremos. É por aí que o livro começa a sua parte “mão na massa”: colocar no papel (ou numa planilha do Excel, ou tatuado no antebraço) aquilo que nós queremos ter, fazer e ser. A real é que isso, por si só, pode ser muito difícil, especialmente se o tempo não estiver definido. Por isso, ele sugere que esse exercício seja feito com dois horizontes temporais: 6 meses e 12 meses. São prazos “justos”, nem tão pouco tempo que parecem irreais nem tempo demais pra permitir que a gente relaxe ou resolva procrastinar.