Como contratar um treinador
06 de fevereiro de 2022 rascunho
Rascunho inédito, recuperado do Drive. A introdução está pronta e as quatro seções do processo estão vazias — é um esqueleto, não um texto.
Pouquíssimas decisões são tão importantes para um clube de futebol quanto a contratação de um treinador. Em especial nos dias de hoje, em que os treinadores se tornaram a liderança mais visível do clube (e muitas vezes a melhor remuneração também), a qualidade dessa decisão pode determinar não só o destino do clube no curto prazo, mas também mudar completamente a sua história.
O que pode parecer exagero num primeiro momento ganha contornos mais reais quando se analisam alguns casos, como a contratação/promoção de Guardiola no Barcelona, a contratação de José Mourinho pelo Chelsea, ou ainda a contratação e manutenção de Alex Ferguson no Manchester United. Mesmo passagens relativamente mais curtas, como a de Jorge Jesus no Flamengo, podem se tornar tão marcantes a ponto de levar o clube a “outro patamar”.
O grande problema é que se trata de uma decisão nada fácil. Se a gestão de pessoas é um objeto de estudo e uma capacidade cada vez mais valorizada pelas organizações, as abordagens mais analíticas sobre esse tema ainda enfrentam muita resistência no ambiente do futebol. Pouco a pouco, esse cenário vem mudando, mas ainda falta uma análise mais sistêmica e integrada, que contemple uma estrutura para o processo de tomada de decisão que não só aumente a probabilidade de acerto como esteja em consonância com a estratégia geral do clube.
Este texto tem o objetivo de propor essa estrutura, ou pelo menos um esboço que facilite o processo de tomada de decisão. O processo aqui proposto pode ser visto como uma “receita de bolo” e seguido à risca, mas pode também ser visto como uma série de diretrizes gerais que podem ser adaptadas e mais ou menos desenvolvidas conforme a realidade do clube.
Para a confecção deste texto, além dos conhecimentos adquiridos nos cursos de Formação de Executivos de Futebol da CBF Academy e de Gestão Técnica da Universidade do Futebol, também procurei inspiração e princípios gerais de gestão de pessoas e liderança em conteúdo voltado à realidade corporativa, como o livro Empresas Feitas Para Vencer, de Jim Collins, e a disciplina de Pensamento Estratégico em nível de pós-graduação da Escola de Negócios da PUC/PR.
Talvez a principal descoberta feita durante a investigação que resultou neste texto foi a de que o processo de contratação do treinador começa muito antes de o clube de fato precisar contratar um treinador. A parte mais trabalhosa e demorada do processo pode e deve ocorrer muito antes de a vaga abrir. Isso ocorre porque boa parte das ações acontece no nível estratégico, ou seja, tem muito mais a ver com a análise da realidade do clube e do mercado do que com a necessidade de ter alguém pra comandar o próximo treino ou responder as perguntas na próxima entrevista coletiva.
Se o processo começa muito antes de surgir a necessidade, também é verdadeiro que começar o processo somente quando o posto fica vago significa inevitavelmente uma de duas coisas: ou o clube vai ficar sem treinador muito mais tempo do que o desejável, ou o processo vai ficar “capenga” e a probabilidade de acerto vai ser muito reduzida.
O processo aqui proposto se divide em quatro fases:
- Um diagnóstico do clube, direcionado, é claro, ao preenchimento do cargo de treinador;
- Um diagnóstico do mercado, com análises macro e micro, que olham tanto para o mercado de treinadores como um todo quanto para treinadores em específico, selecionados a partir da análise macro e condensados em uma shortlist para uma análise mais aprofundada;
- A estratégia de “venda” do clube para o treinador, materializada em uma apresentação das principais informações necessárias para influenciar a tomada de decisão do treinador;
- O processo de recrutamento e contratação em si, com cada uma das etapas necessárias para identificar, abordar, avaliar e contratar o melhor treinador possível para a equipe.