Liderança no futebol: a liderança transformacional
20 de junho de 2022 rascunho
Rascunho inédito, recuperado do Drive. O texto parece parar nas primeiras páginas — precisa ser terminado antes de publicar.
Chegamos ao terceiro e último texto desta série sobre liderança no futebol. No primeiro texto, sugerimos uma resposta para a pergunta “o que é liderança?”, vimos quais os níveis de abstração em que o fenômeno de liderança acontece, e que se trata de um fenômeno influenciado por múltiplos fatores, notadamente os líderes, os liderados e as situações. Também procuramos defender a importância de estudar liderança, ainda que apenas o estudo não seja suficiente nem imprescindível para o exercício efetivo da liderança.
No segundo texto, pudemos aprender sobre as teorias comportamentais de liderança e os comportamentos de liderança. Nomeamos os três conjuntos de comportamentos identificados nos fenômenos de liderança: os comportamentos orientados a tarefas, a relacionamentos e a mudanças.
Fizemos a ressalva de que, apesar de ainda ser o paradigma dominante, as teorias comportamentais se mostraram limitadas para explicar o fenômeno da liderança, devido a sua abordagem transacional, ou seja, os comportamentos dos líderes têm como foco obter algo em troca dos liderados.
Como visto no primeiro texto, na própria definição de liderança apresentada, o líder está interessado em ajudar os liderados a atingir os seus objetivos, ou seja, ajudá-los a conquistar o que querem. Mas o que ocorre quando os liderados não têm clareza do que querem, ou, ainda mais preocupante, querem algo diferente do que precisam? Mais do que isso, é realmente possível reduzir o fenômeno da liderança a uma breve análise do líder, dos liderados e da situação? Poderíamos abordar os comportamentos de liderança como combustível num motor, sem considerar que na realidade estamos tratando com seres humanos, complexos, com suas emoções, valores, ética, padrões e objetivos de longo prazo?
Percebendo que a abordagem transacional presente nas teorias comportamentais não seria suficiente para explicar a liderança, os estudiosos do fenômeno passaram a desenvolver outra abordagem. Foi nesse contexto que o sociólogo político J. M. Burns popularizou, na sua obra Leadership (1978), o termo liderança transformacional.1
A liderança transformacional, como o próprio nome indica, é um processo que muda e transforma as pessoas.2 Ao contrário da abordagem transacional, na abordagem transformacional a liderança é vista como o processo pelo qual se cria uma conexão entre líder e liderados que aumenta os níveis de motivação e moralidade de ambos. Mais do que ajudar os liderados a atingir um determinado objetivo, o líder é visto como uma pessoa atenta às necessidades e motivos dos seus liderados, e procura ajudá-los a atingir o seu potencial máximo.3